Lição 04 - Tony Iommi - Os Melhores Riffs do Pai do Metal
Fazer música ou tocar um instrumento com uma marca pessoal e relevante já é para poucos. Mas além disso, criar um estilo musical novo é tarefa para muito poucos. Tony Iommi usou elementos ordinários da guitarra blues/rock disponíveis na época, como escalas pentatônicas e acordes de quinta, e com não muito mais, forjou a ferro e fogo o Heavy Metal. Apesar de já existirem esboços e direcionamentos para uma música mais pesada, nada foi tão profético e definitivo ao estilo quanto os riffs matadores, sombrios e macabros de Tony Iommi.
Iommi começou a tocar na adolescência, e era influenciado pelos instrumentais de Hank Marvin e The Shadows. Aos 20 anos, sofreu um acidente em uma metalúrgica em que trabalhava, perdendo as pontas dos dedos médio e anular da mão direita. Como era canhoto, eram os dedos que pressionavam as cordas contra a escala da guitarra. Para poder continuar tocando, Iommi fez capas de plástico derretido, forrados com couro para seus dedos e usou cordas bem leves, intercalando cordas de guitarra com cordas de banjo.
Essa limitação física levou Iommi a experimentar afinações mais baixas, para não tensionar seus dedos. A partir do terceiro disco do Sabbath, Masters Of Reality, Iommi começou a afinar sua guitara um tom e meio abaixo. Isso fez com que sua sonoridade se tornasse ainda mais soturna. O timbre incomparável desse disco se deve em grande parte a essa inovação. Hoje em dia essa prática é muito comum no gênero, mas graças ao imaginário sonoro já solidificado por Tony Iommi.
Até a formação do Black Sabbath, Iommi tocou em algumas bandas de Blues, e esse era o seu principal vocabulário musical. Seus solos no Sabbath refletem claramente essa formação. Mas foi nos riffs que Iommi revolucionou a música e criou o Heavy Metal, e é a principal influência, mesmo involuntária, de todas as bandas atuais do estilo. E é sobre esse riffs que essa lição vai tratar. Os “melhores riffs”, é claro, são uma opinião pessoal. Admiradores e fãs de Iommi podem citar ad infinitum uma seleção completamente diferente e completamente pertinente de riffs, pois neles Iommi é mestre. E esse é o meu humilde tributo.
:::Audio
:::Partituras e TABs
Lista dos Riffs:
- #1 - Black Sabbath (Disco: Black Sabbath)
- #1b - Black Sabbath (Final)
- #2 - Paranoid (Disco: Paranoid)
- #3 - Electric Funeral (Disco: Paranoid)
- #4 - Iron Man (Disco: Paranoid)
- #5 - Sweet Leaf (Disco: Masters Of Reality)
- #6 - Into the Void (Disco: Masters Of Reality)
- #7 - Cornucopia (Disco: Vol.4)
- #8 - Sabbath Bloody Sabbath (Disco: Sabbath Bloody Sabbath)
- #9 - Sabbra Cadabra (Disco: Sabbath Bloody Sabbath)
- #10 - The Mob Rules (Disco: Mob Rules)
- #11 - Country Girl (Disco: The Mob Rules)
- #12 - Slipping Away (Disco: Paranoid)
- #13 - Sympton Of The Universe (Disco: Sabotage)
A maldição começa na primeira música do primeiro disco. O famoso intervalo Diabolus In Musica sem rodeios. Que Deus tenha piedade de Iommi.
Riff que inicia a parte mais acelerada no final. Caráter épico.
Esse riff marcante e clássico deispensa apresentações.
Macabro...Humanidade indo pro abate
Um dos primeiros riffs que aprendi. Iommi clássico.
Nesse disco Iommi já está usando a afinação 1 tom e meio abaixo (em C#). O riff tocado em dó soa em lá.
Afinação: C#. Esse sincopado riff é um dos mais interessantes de Iommi. Ele tem uma pitada de jazz/fusion no seu DNA, que mais tarde seria recorrente no disco Never Say Die.
Simplesmente assustador. Não apague a luz e toque esse riff.
Clássico.
Afinação: C#. Parece ser algo de Jimmy Page. Iommi mostra sua formação blueseira. A afinação mais baixa dá um charme especial ao clichê.
The Kinks bombadão de esteróides. Afinação: meio tom abaixo (Eb)
Afinação: Eb. Algo posterior com a mesma veia de Sabbath Bloody Sabbath.
Afinação: Eb. Um belo e transcedental riff de rock.
Para encerrar (o número 13 não foi intencional, hehe), finalizemos com mais maldição. Mais uma manifestação explícita do intervalo Diabolus In Musica. Impiedoso.
Espero que gostem dessa minha seleção e se divirtam tocando essas preciosas contribuições ao mundo do rock e da guitarra. Peço aos aficcionados por Iommi que mandem suas listas de riffs prediletos para contato@guilhermebarros.com.br, para uma futura coluna.